2Sozinhos

Besteiras, pensamentos, poesia, auto-flagelação, narcisismo, escrita, idiotices, neuroses, maternidade, paternidade e qualquer coisa mais.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Sinto-me ainda pior. Há um esforço muito grande para tentar "Vender" o meu filme, mas o máximo que consigo é uma coleção de nãos. Nãos até por amigos próximos. Fico de fato pensando se realmente é isso...

Pois bem. Um certa invejinha bateu. Quem me disse não acabou de ganhar um prêmio. É como se afirmasse... Viu, como estou certo? Mas vou tentar não encarar dessa maneira. É difícil qndo as coisas saem erradas para você.

Não nego que estou um tanto triste, ansiosa, angustiada e derrotada. É claro que isso é passageiro e que daqui a pouco vou levantar e tentar tudo de novo. As vezes me esqueço pq faço cinema. E de fato, tem determinadas coisas que eu não gosto nada nada nesse meio. A porpurina, os egos inflados, a humilhação, os interesses. Tudo fica mto maquiado perto do que realmente os cineastas gostariam de dizer.

Sexta eu assisti um filme do Win Wenders. Quarto 666. E o filme é um documentário sobre cineastas filosofando sobre o rumo do cinema na decada de 80. Eu sinto falta disso. Da filosofia no cinema, na reflexão de idéias, na composição de obras. As vezes tenho a sensação que tudo só se expressa através da futilidade das coisas. E acho que isso é o que mais me irrita em relação aos produtores. De fato eles não estão interessados em diálogos, em questionamentos, em idéias. Tudo se resume ao ego e ao sucesso. Esse pessoal podia ficar só na publicidade mesmo.

Pois bem. Tive um idéia simples para diluir esses egos... Nada melhor do que uma câmera para que os argumentos mudem de posição e os personagens se "comportem". Vamos aderir ao panótipo de Foucault. Ninguém está interessado em idéias e sim no produto de prateleira. E se um filme não surgir uma ficção, pelo menos um documentário irá surgir!

Obs. O mais incrível disso tudo é descobrir que produtores não lêem roteiros. Mas por outro lado, explica muita coisa...

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Então...

Reunião com produtores gringos p/ vender meu roteiro-ideia. Frustração, frustração e mais frustração.
Agora sinto raiva, tristeza, melancolia... Sei lá. Não sei ainda o que fazer. Catar os pedaços tvz e me reinventar novamente. Dar um tempo, respirar, voltar a rotina de teste de software (e ainda bem que eu tenho isso). Entendem agora por que eu não largo totalmente essa vida? Não há nada no mundo mais cruel do que o mundo cinematográfico. E o pior é q eu sei q tenho talento. Simplesmente foi algo que nasceu comigo. Estudo e tal... Mas como puder provar a mim mesma, não é todo mundo que escreve o primeiro roteiro de cinema em dois meses e meio. Escrevendo dentro no metrô e nas horas livres.
Não sei. Só sei que não ficarei mais falando termos em francês. Só sei que o choque foi mto grande e essa história de que os parisienses são grosseiros... Eu senti isso na pele.
É a vida.
Sigamos em frente. Quase como um renascimento de um relacionamento... Depois pensamos no próximo filme.

Sábado, Junho 27, 2009

Decidi escrever um pouco sobre o processo de roteirizar. Consequentemente falarei também de processos psicanalíticos e resgates de memória e assim economizo na terapia. :)
Pois bem, minha grande amiga Gi leu o meu roteiro. Seus principais comentários foram:
1. Você pode melhorar suas passagens de tempo (sequencia do estacionamento na praia).
2. Seu corte de personagem está sem sentido. Quem é Núbia? De onde ela vem? Ela simplesmente surge?
3. Sua personagem é arrogante e preconceituosa. (Sequencia da crítica a bulimia).
E lá vem novamente a síndrome do papel branco... :)

Pois bem, minha análise em cima de sua análise. Concordo com o item 1, embora eu ache que o artifício de exibir somente a hora numa cartela resolva o problema. A intenção é fazer pequenas críticas ao caos que é viver no Rio de Janeiro, mas não vou ficar me alongando com discursos e grandes situações. São coisas pontuais mesmo. Talvez eu modifique, talvez não. Sugestão anotada.

2. O corte de personagem foi proposital. É de minha intenção que o Felipe esteja num momento, passe por uma decepção amorosa e no segundo seguinte aparece com outra mulher. Simples assim. É para se ter um estranhamento. Ele não estava com uma dor de cotovelo absurda há exatos dois segundos atrás? E após a cena decorrer é que você vai perceber que mais de quatro anos se passaram... Então... Deixa assim.

3. Agora a pior crítica. "Sua personagem é preconceituosa". Ela não está falando de uma personagem qualquer. Ela está falando da Bia, minha protagonista, a narradora da história. "E ninguém gosta de preconceito", em outras palavras, ninguém vai gostar do seu filme porque a sua narradora é antipática. Pois bem... Narradores são alter-egos de seus escritores. Não necessariamente somos nós mesmos, mas são imagens, representações de nossas perspectivas. Acusar um narrador assim, cruamente (e porque não cruelmente?) é quase um ataque pessoal. Doeu. Sempre doi. Escrever é um ato mais doloroso que o parto. Mexe com emoções, sentimentos, saudades. Coisas que por muitas vezes queremos deixar guardadinho lá no fundo de nossas almas, mas que para de fato construir, precisamos revirar. E é esse o processo que é claustrofóbico, angustiante. Sofro da agonia da criação, da agonia de revirar memórias em prol da construção da criação de algo. É quase uma terapia do medo.
Dói. E nós escritores somos sensíveis, presos nesse mundo imaginário que é libertário e aterrorisantemente aprisionador. Doeu. Doeu em saber que eu mesma sou arrogante assim, preconceituosa assim. Vivo num mundo meu, autista que não consegue entender essa motivação do "perfeito", do "belo", da imagem. Ainda vivo num mundo de idéias, das palavras, dos sentidos. E eu sou a preconceituosa por criticar isso? Tabus e tabus. Criticar o normal é algo absurdamente perigoso, é revirar as feridas alheias. Eu posso revirar minhas feridas, mas não há ninguém que consiga destrinchar o "normal" de forma sincera (e não ambígua) que não seja massacrado. Mesmo aqueles mais vanguardistas.

***

Pois bem. Minha personagem é livre. Arrogante, até concordo, mas é livre. Não se vê presa nas cordas da norma, não entende esses conceitos de beleza e estética e não consegue se adequar no mundo da imagem. Ela ainda vive apenas no mundo das palavras...

Mas toda critica é bem vinda. Talvez eu amenize os diálogos para torná-la mais simpática. O legal dessa personagem que embora ela lute, está fadada a se tornar um ser comum. Então, embora exista um discurso do diferente, a norma a dominará. Ela não sempre domina? A norma é sádica...

Etiquetas:

Domingo, Maio 17, 2009

Resgatando pessoas

Hoje eu não sabia mto bem o que estava fazendo. Reuni um certo grupo de pessoas em minha casa, 3 músicos, um penetra e uma grande amiga. A mixagem não foi a da mais felizes. Resgate do passado dá nisso. Um certo frescor melancólico que não sabemos ao certo no que dará. Flertes houveram em momentos errados, saudades do passado de pessoas resgatadas, atração fatal em momentos inoportunos. Tudo muito humano, tudo muito obscuro. Sei lá. Me senti um pouco viva, um pouco confusa. Normal. Transtornos, questionamentos. Um ex de uma grande amiga apareceu, disse que vive e que está solteiro. Grande atração burslesca nos faz resgatar atrações de outrora. Não sei dizer exatamente o que sinto, só sei que sinto... E se no passado isso tudo era estranho de sentir, pela proximidade da amizade de outros, agora nem se faz menos estranho pelo presente dos fatos. Casada, filha, isso tudo nos torna inérteis, inférteis no mundo ao redor. No entanto nem menos humanas...

Sinto sim, um forte atração pelo passado. Se quiser enfrentar os medos, enfrentar a libido, enfrentar isso tudo, estou disposta a experimentar como do próprio sexo como outrora já o fiz. Arriscado?! Sim! A vida é um grande desencontro esbarrado...

Espero vc. Aqui, ali, em sonhos acordados ou em qualquer momentos agora, ou lá. Só sei o q sinto...

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Mães e mães...

Uau!! Minha mãe agora faz parte do cyber mundo. Nunca pensei que um dia isso fosse acontecer, mas aconteceu. Sofia não terá esse questionamento... Afinal a mãe dela sempre fez parte do cyber mundo. Mas é mto estranho... Ver sua mãe pousar de gatinha, dizer que ama a família mais que tudo, que gosta de ver telejornais (pq ela não mencionou novelas e super-pop?), e que gosta de ler... Meu Deus!! Quem é essa pessoa? Cheia de recados com corações, anjos e luzes piscantes. Só faltou dizer em música preferida "Ivete Sangalo". Vejo que a inserção de minha mãe no mundo virtual me trará algumas horas de terapia...

Domingo, Abril 26, 2009

Filhos e Peidos

Se antes 2Sozinhos significava duas pessoas a procura de seus respectivos pares, hoje 2Sozinhos significam um casal que encara a maternidade/parternidade... O título permanece mas os personagens mudaram e muito!

Pois então já que é para falar de maternidade vamos lá... Minha filha está um saco hoje! Insuportável! Manhosa, chorosa, escandalosa e mais qualquer "losa" que você possa imaginar. Ela ficou doente no fim de semana passado e demorou horrores para se recuperar. Hoje ela está bem, mas o dengo da doença ficou. E agora o que eu faço? Eu literalmente tenho fugido de seus dengos, sinto-me perseguida por qualquer lado da casa que corra. E minha filhota sente-se como uma bolinha de tênis, porque o pai a joga para mim e eu a jogo para ele. Vamos combinar que ninguém fala muito sobre isso... Sobre o dia em que seus pais querem ser egoístas para ficar bem longe da manha de seus filhos.

Dificilmente assumimos isso. É difícil mesmo. Mas há horas de desespero. Principalmente quando o choro é initerrupto. Não há o que fazer... A criança simplesmente não tem botão de off. E você até começa a compreender os "Nardonis" nessas horas. Mas ok. É seu filho. Resgate forçar de seus dedos mindinhos para aturá-los mais um dia. Amanhã é segunda e o silêncio do escritório será merecido...

E você realmente tem certeza nessas horas que filho é como peido. Você sabe que o seu fede mas você consegue aturá-lo mesmo assim...

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Madrugada, bunda quadrada no sofá da sala..."No more I love yous" no som. Tem um momento em que você realmente percebe que está fora de mercado quando um papo na internet soa demasiadamente infantil para você e sua caçada/jornada resulta em bunda quadrada no sofá da sala...

Fotos no orkut de amigas suas "velhas de guerra" (e bem velhas assim), pagando de mocinha, pagando de ivete e asa de águia... E vc "odeia tudo mto isso", ou pelo menos acha tudo muito patético. É a vida.

Pois então. Sou a primeira geração que envelhece com a internet. "Na minha época... Não existia sites de relacionamento", só exisitia o chat da uol e o e-mail do bol... Na minha época a Microsoft era pioneira e o windows 95 era o que todo mundo queria ter. Pois bem. Envelheço com o Ace of base na cabeça, envelheço como o ICQ, Windows 95, Html frame, chat do uol, email do bol, cgi e tudo mais que já foi um dia muito inovador...

Num mundo onde tudo envelhece rápido demais, há espaço para as rugas, melancolia ou saudade? Sei lá... Minha adolescência está logo ali, na primeira pasta de minha memória, ou talvez na segunda... Nem sei mais. Me perdi nas formatações de meu antigo HD.

E agora gmail, orkut (que diga-se já está velho), twitter, likedin, facebook, sms... E lá vamos nós novamente nessa rede de antigas novidades. Vamos por lá buscar um sentido, algumas amizades novas, ou talvez somente mais um brinquedinho novo de consumo rápido. Algo para ser descartado daqui alguns anos e em 2015 ser muito ultrapassado.

Meus amigos de carne e osso envelhecem todos os dias. Meus cabelos brancos não negam a balzaquiana que existe em mim. Vejo ainda nas fotos as micaretas (uhu) e os carnavais inesquecíveis nos albuns de alguns que realmente esqueceram de envelhecer. Seria isso? Negar o envelhecimento real e só acreditar no envelhecimento virtual? E se vc está antenado continua novo? Continua uhu? Legal? Maneiro? Chocante?!

Bem, comigo o movimento de rotação e translação continuam impiedosos. E sinceramente... "Eu amo muito tudo isso"! Acreditar em minha maturidade me torna humana em meio de um certo cilício descartável.

Mas se os meus cabelos mudaram... Minhas idéias continuam fresquinhas. ;)